Jogo de cartas ensina sobre agricultura familiar
RaiZário foi lançado e distribuído durante a 23ª Agro Centro-Oeste Familiar realizada em junho
Texto: Kharen Stecca
Fotos: Kharen Stecca e Versanna Carvalho
Um jogo que dialoga com o tema das mulheres na agricultura familiar foi lançado durante a 23ª Agro Centro-Oeste Familiar (Acof 2026), a maior feira deste segmento na Região Centro-Oeste. O jogo RaiZário tem uma proposta lúdica de envolver entretenimento e educação, valorizando os saberes do campo e da economia solidária.
Desenvolvido pela técnica-administrativa e designer da Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Juliana Queiroz, que trabalha com o tema dos jogos na educação em seu campo de pesquisa, o jogo RaiZário narra a história de Maria e Ester, duas mulheres criadas em um acampamento de reforma agrária, que aprenderam desde cedo o valor da ajuda mútua e do trabalho coletivo. A competição afetuosa entre as duas personagens, que realizavam tarefas e corridas na infância, transformou-se, na vida adulta, em uma disputa saudável de produção agrícola.
No jogo, os participantes assumem o papel dessas famílias que buscam produzir melhor, cuidar da terra e levar o sustento para a feira. "O RaiZário reafirma o protagonismo das mulheres agricultoras e transforma o ato de planejar e colher em uma experiência sensível e educativa para estudantes, pesquisadores e famílias", afirma Juliana.
Juntamente com Flávio Oliveira e Antônio Dellatore Rodrigues, a designer já participou do desenvolvimento de outro jogo para a feira em 2023. O Cozinha Caipira aborda a culinária goiana e trabalha temas como a escolha dos produtos para a produção dos pratos até à preparação.
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Experiência lúdica
Segundo Juliana, o jogo é mais que um passatempo e oferece um aprendizado prático sobre os desafios da agricultura familiar. A partida é estruturada em quatro fases principais: planejamento com a escolha de cartas de estratégia e tecnologia; a colheita, com uso de dados para obter recursos como milho, cana, água e esterco; a produção, uma "corrida" para transformar recursos em produtos como queijo, cuscuz e rapadura; e a pontuação, soma dos pontos das cartas concluídas.
Para a designer, ao jogar, o público entende que produzir alimentos exige cuidado, escolha e, acima de tudo, uma relação de respeito com o tempo e a natureza. O projeto traz inovações, como ilustrações produzidas com inteligência artificial e o dado Peão RaiZário, um componente desenvolvido exclusivamente para o jogo e que já está em processo de patente pela Plataforma de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (Pitt) da UFG.
Os visitantes da Agro Centro-Oeste Familiar puderam ganhar uma das 300 unidades produzidas para o evento ou experimentaram as partidas no local. Os visitantes também participaram de uma oficina de pintura do dado Peão e levaram para casa uma experiência que aproxima a realidade do campo do universo lúdico.
Um dado diferente
O dado Peão RaiZário, que está em fase de registro de patente, é uma peça especial do jogo, criada para representar o movimento, a sorte e a imprevisibilidade presentes no processo da colheita. Seu formato, ressalta Juliana, remete a um peão, com base arredondada, corpo piramidal, estrutura hexagonal e topo alongado, sugerindo ideias de giro, deslocamento e ação durante a partida.
Nas laterais aparecem marcações em alto relevo que indicam os possíveis resultados do dado, como a quantidade de recursos que o jogador poderá coletar ou efeitos especiais capazes de movimentar a dinâmica do jogo. "O dado foi projetado com a intenção de estabelecer uma relação visual e simbólica com o universo das propriedades rurais, uma vez que a figura do peão é bastante presente nesse contexto", explica a designer.
Dentro do RaiZário, o dado Peão é utilizado na fase de colheita. Ao ser lançado ou girado, ele define quantos tokens que o jogador pode coletar – milho, cana, água ou esterco – e também pode ativar o curinga, possibilitando ações estratégicas durante a partida.
"Mais do que um dado comum, ele funciona como um símbolo da relação com a terra: às vezes a colheita é abundante, às vezes é limitada, e, em outros momentos, o jogo abre uma oportunidade inesperada", delineia Juliana. Segundo ela, a ideia é que o dado acrescente dinamismo, surpresa e uma identidade visual própria à experiência do jogo.
Mulher agricultora
A Agro Centro-Oeste Familiar é a maior feira da região Centro-Oeste e uma das maiores do país voltada à agricultura familiar. A Acof 2026 foi realizada na última semana nos dias 17, 18, 19 e 20 de junho, em Goiânia, no Campus Samambaia da UFG. O tema deste ano foi "Mulher agricultora: o protagonismo da agricultura familiar é seu".
Criada há 26 anos, a iniciativa reúne diferentes parceiros que, juntos, organizam, realizam e recebem aproximadamente 15 mil pessoas durante os quatro dias de evento. O público-alvo são estudantes de todas as fases do ensino, profissionais de diversas áreas, pesquisadores, agricultores familiares, extensionistas e o público em geral.
Fonte: Jornal UFG/Secom UFG
