Embrapa leva inovação à maior feira familiar da Região Centro-Oeste
Instituição atuou diretamente na transferência de tecnologias sustentáveis durante a Acof 2026
Embrapa firma na Acof 2026 parceria com a Conab para distribuir 10 toneladas de sementes
Texto: Hélio Magalhães
Foto: Secom UFG
Goiânia recebeu de 17 a 20 de junho a 23ª Agro Centro-Oeste Familiar (Acof 2026), o maior evento da região dedicado ao setor. O tema central desta edição — Mulher agricultora: o protagonismo da agricultura familiar é seu — se alinha à escolha da Organização das Nações Unidas (ONU), que definiu 2026 como o Ano Internacional da Mulher na Agricultura. A feira coloca as produtoras rurais no centro do debate sobre segurança alimentar, inovação e sustentabilidade.
A Embrapa Arroz e Feijão, sediada em Santo Antônio de Goiás (GO), participou de toda a programação da Acof 2026 que foi realizada no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, no Campus Samambaia da UFG. Em 23 edições de parceria com a Acof/UFG, a instituição vai além da tradicional exposição institucional, atuando diretamente na transferência de tecnologias sustentáveis e no fortalecimento das redes produtivas locais.
Solidariedade
A presença da Embrapa na feira começou com um gesto de solidariedade e valorização do trabalho de quem expõe: a doação de 200 quilos de arroz e 150 quilos de feijão para a alimentação dos expositores. No estande da Expo Acof os visitantes encontraram soluções práticas para o dia a dia no campo. O espaço apresentou amostras de cultivares de feijão, demonstrações de motocultivadores e o uso de bioinsumos. Para facilitar o acesso à informação, banners com códigos QR direcionaram os produtores ao catálogo digital de cultivares, indicando onde encontrar sementes certificadas.
Parceria com a Conab
Um dos momentos mais estratégicos do evento ocorreu na abertura, quarta-feira (17/6), com a assinatura do acordo de parceria entre a Embrapa Arroz e Feijão e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A iniciativa disponibilizará 10 toneladas de sementes de feijão para associações e cooperativas de agricultores familiares, beneficiando diretamente 300 famílias (com meio hectare destinado a cada uma). A expectativa é gerar uma produção de 32 toneladas de alimentos de alta qualidade, fortalecendo canais de comercialização governamentais e comunitários, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e cozinhas solidárias.
Redes sociotécnicas
A Embrapa realizou uma série de reuniões com o intuito de promover a articulação econômica e de incentivar o resgate da sociobiodiversidade. A Embrapa se reuniu com as cooperativas Coapri (Itaberaí) e Cooperafi (Itapuranga) para planejar a expansão do cultivo. A pauta incluiu a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) para renovação de pastagens com espécies nativas do Cerrado, a inserção nos mercados institucionais (Pnae e PAA), o abastecimento do Empório Itauçu (GO-070) e o fortalecimento da agroindústria regional.
Outra movimentação da Embrapa foi a realização de roda de conversa com a Associação Estadual de Agroecologia em Goiás (Aesago) e a Escola Família Agrícola de Orizona (Efaori) quando foram debatidos o resgate de variedades tradicionais de sementes e a consolidação de redes sociotécnicas voltadas ao uso de bioinsumos. No debate com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e cooperativas parceiras foram detalhadas a estruturação da Rede Sociotécnica para Inclusão Produtiva e Desenvolvimento Territorial em Goiás, com foco em bioinsumos. Também foram realizadas oficinas práticas sobre o uso de bioinsumos no campo, conduzidas por estudantes bolsistas da parceria UFG/Embrapa.
Essas capacitações buscaram subsidiar conhecimentos e práticas na utilização de microrganismos benéficos para proteger e nutrir a lavoura, reduzindo custos com insumos químicos e aumentando a resiliência das plantações diante das variações climáticas do Cerrado.
Mulheres no centro da produção
A agricultura familiar é a base da alimentação brasileira, e as mulheres desempenham um papel vital nessa engrenagem, liderando desde a produção de hortas e processamento de alimentos até a gestão financeira e comercialização direta.
Historicamente invisibilizadas, essas trabalhadoras encontram na Acof 2026 uma plataforma de valorização. Ao aproximar a pesquisa científica das demandas reais das mulheres, dos jovens do campo e de estudantes da área de ciências agrárias, a Embrapa reafirma que a inovação tecnológica só cumpre seu papel social quando se torna uma ferramenta de inclusão, autonomia econômica e sustentabilidade no cotidiano de quem alimenta o país.
Fonte: Embrapa Arroz e Feijão
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